Vamos abrir este texto com um travessão — de propósito. Se isso te incomodou, você não está sozinho. Virou consenso no mercado que travessão é sinônimo de texto gerado por IA. Um estudo recente mostra que esse pensamento está errado.

O Encontrabilidade, nosso blog sobre SEO e IA generativa, trouxe a pesquisa de Adam Gnuse, Angel Niñofranco e Danny Goodwin, que cruzou mais de mil URLs com dados reais de engajamento. O objetivo foi descobrir quais tiques de escrita associados à IA realmente afastam o leitor, e quais são só implicância estética.

Travessão prejudica o desempenho do meu conteúdo?

Não, quando bem colado e sem excessos. Segundo o estudo, frases com travessão tendem a carregar mais nuance e informação, e é esse conteúdo denso que prende o leitor, não a pontuação em si. Mas o excesso soa mecânico, e por isso tanta gente associa a “um texto com cara de IA”.

O problema nunca foi o tique. É a repetição.

Esse é o achado que mais interessa a quem produz conteúdo de marca. Caçar palavras proibidas numa lista de revisão não resolve nada. O que denuncia um texto malfeito, feito por IA ou não, são as repetições na estrutura e a falta de um conteúdo inovador ou aprofundado. E se o leitor considerar que a marca não tem nada de novo a dizer, esse julgamento pode custar caro para a reputação da empresa.

Como aplicar isso na revisão

  • Leia o texto procurando estruturas repetidas, não palavras isoladas. É a repetição que denuncia, não o tique isolado.
  • Priorize dado próprio e experiência de primeira mão: isso a IA não replica sozinha, e é o que sustenta a voz da marca.
  • Releia o texto em voz alta. Repetição de ritmo se percebe mais fácil pelo ouvido do que pelo olho.
  • Se o texto passa por revisão de UX Writing (a escrita que orienta a pessoa usuária dentro de um produto ou interface), aplique o mesmo teste: a instrução se repete de forma mecânica, ou muda conforme o contexto da tela?

Um texto com voz própria não precisa esconder que teve ajuda de IA. Ele mostra, pelos próprios méritos, que teve um ser humano por trás. E é esse humano que o leitor reconhece primeiro.